sábado, 8 de junho de 2013

(comentando) Inferno, de Dan Brown.

“A população cresce em progressão geométrica, enquanto o alimento cresce em progressão aritmética”.

- Teoria populacional malthusiana.


Mais do que um suspense eletrizante de arrancar o fôlego, Inferno é um alerta para um perigo que espreita, silencioso, o humanidade: a auto-extinção da espécie humana que se dará devido ao crescimento populacional desenfreado dentro de um espaço limitado e com recursos finitos. Bem como acontece com espécies que se multiplicam rapidamente em um espaço pequeno, a escassez de recursos faz essas espécies se auto-aniquilarem. É sobre esse assunto que Dan Brown, de forma magistral, abordo em seu novo livro, um dos melhores (na minha opinião, que já li os outros cinco romances anteriores do autor) que ele já escreveu até hoje.
Utilizando uma pesquisa minuciosa – característica mais marcante do autor –, que vai desde explicações de mecanismos tecnológicos de opacidade de superfícies até relatos detalhados sobre fatos históricos, monumentos e obras de arte, o maior autor de suspense da atualidade (e digo isso baseado na quantidade assombrosa de livros que vem vendendo) deixa o leitor perplexo com sua genialidade para criar enredos intrigantes.
Narrado num período de 24 horas, recheado de flashbacks que situam o interlocutor (também uma forte marca do Dan), Inferno é uma corrida desenfreada contra o tempo para, mais uma vez, tentar salvar o mundo de um desastre iminente – o qual, mais à frente na leitura, percebemos ser mais brando do que imaginamos.
Novamente tendo como protagonista o encantador professor de simbologia da Universidade de Harvard, Robert Langdon, que agora desmemoriado está com o humor bem mais aguçado, uma das obras primas de Brown, embora já comece de maneira surpreendente, destoando dos prólogos que estamos habituados escritos pelo autor, é, a princípio, enfadonha. Talvez, por não tratar de um assunto em amplo debate, a sensação que temos quando começamos a ler é de que ele não vai muito longe com a história e que permanecerá dentro as hipóteses previsíveis, as quais já deixou claras em seus livros anteriores: uma catástrofe, um professor inteligentíssimo, uma mulher atraente e igualmente inteligente e uma caça ao tesouro para evitar o pior. De fato, é o que acontece, contudo, Dan criou particularidades que, literalmente, estapeou as nossas caras. Quando comecei a ler, não imaginei que ele pudesse ir tão longe e me surpreender mais uma vez (da mesma forma que fez em Anjos e Demônios).
Quando passamos da metade do livro, percebemos que todo o enredo já tinha sido meticulosamente pensado e costurado antes mesmo do autor escrever a primeira palavra. De um contexto completo, cheio de fios soltos que se amarram no clímax, Inferno é uma história um tanto complicada, que requer atenção a todos os detalhes e, por se passar em locações reais e falar de obras de arte reais, que podem ser visitadas hoje, é interessante ser lido com ajuda do Google Imagens, porque, embora a descrição do Dan seja fascinante, nada melhor do que ver o que ele está descrevendo.
O título (penso eu que tenha sido escolhido para causar polêmica, essa também é uma marca do Brown) é uma referência clara à Divina Comédia, de Dante Aleghieri, que dá base a toda a história. A intrincada trama de caça ao tesouro criada a partir da obra de Dante faz uma escavação profunda nos versos de terças rimas da primeira parte da obra do poeta florentino – dividida em Inferno, Purgatório e Paraíso. A história de Dan Brown se passa em três cidades, nesse período de 24 horas no qual é contada: Florença, cidade amor de Dante Aleghieri, onde se encontram as obras de arte, monumentos e museus que situam boa parte do enredo; Veneza, para onde Robert Langdon e sua inteligente acompanhante Sienna partem na reta final do livro; e, por fim, Istambul, onde o livro termina.
Sempre que leio Dan Brown tenho impressão de estar lendo Júlio Verne, não em comparação à forma como os dois autores escrevem, que são extremamente avessas, mas ao fato de ambos escreverem sobre o futuro. Foi assim que Dan fez em sua obra de estréia, Fortaleza Digital, escrevendo sobre um código de computador nunca criado. Foi assim em Ponto de Impacto, quando levantou hipóteses sobre a NASA que, até então, não tinham sido externadas. Foi assim em Anjos e Demônios, quando, de maneira incrível, descortinou o processo de Conclave do Vaticano e associou-o aos Iluminattus. Foi assim em O Código Da Vinci, levantando a hipótese do Santo Gral ser, em verdade, uma pessoa, não um objeto. Foi assim, por tabela, em Inferno, descrevendo um vírus-vetor ainda não criado pela genética, mas que Dan o descreve tão brilhantemente que descarta qualquer dúvida de que esse vírus, de fato, pode ser criado.
Depois de derrapar em O Símbolo Perdido (para mim, o pior livro já escrito por Dan), que foi completamente cinematográfico e desprovido de conteúdo histórico substancial, Brown, em Inferno, volta a se consagrar como o maior autor de suspense da atualidade, fazendo com que o seu leitor devore as 422 páginas do livro o mais rápido que conseguir. Aos que ainda não leram o livro, sugiro que, quando o fizerem, não se importem em criar teorias de como será o final da trama, pois, asseguro-os, serão completamente surpreendidos e irão se perguntar como foram tão bobos por terem sido enganado dessa forma. Inferno, é, sem sombra de dúvidas, uma das obras-primas de Dan Brown, onde o autor levanta o questionamento: Engarrafamentos estressantes, hospitais superlotados, filas para atendimentos, cidades superpopulosas...O Inferno está para chegar, ou nós já não estamos vivendo nele?
Infelizmente, receio que terei de esperar dois anos ou mais para ler uma nova aventura incrível escrita pelo Dan.
Já estou com saudades do Robert. 

Tiago Santos

Um comentário:

  1. Não é tão fidedigno aos fatos, mas parte deles para toda ficção, apesar de 'O Código Da Vinci' ter sido apenas uma moda semi-plagiada de livros como 'O Santo graal e a Linhagem Sagrada' (na realidade um asco sem evidências realmente reais), acho que em 'Anjos & Demônios' ele acertou mesmo sempre falando de terrenos pantanosos que é o ocultismo. Não li as demais obras, mas naturalmente fico curioso pois ele ditou tendências.

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