“A população
cresce em progressão geométrica, enquanto o alimento cresce em progressão aritmética”.
- Teoria populacional malthusiana.
Mais
do que um suspense eletrizante de arrancar o fôlego, Inferno é um alerta para
um perigo que espreita, silencioso, o humanidade: a auto-extinção da espécie
humana que se dará devido ao crescimento populacional desenfreado dentro de um
espaço limitado e com recursos finitos. Bem como acontece com espécies que se
multiplicam rapidamente em um espaço pequeno, a escassez de recursos faz essas
espécies se auto-aniquilarem. É sobre esse assunto que Dan Brown, de forma magistral,
abordo em seu novo livro, um dos melhores (na minha opinião, que já li os
outros cinco romances anteriores do autor) que ele já escreveu até hoje.
Utilizando
uma pesquisa minuciosa – característica mais marcante do autor –, que vai desde
explicações de mecanismos tecnológicos de opacidade de superfícies até relatos
detalhados sobre fatos históricos, monumentos e obras de arte, o maior autor de
suspense da atualidade (e digo isso baseado na quantidade assombrosa de livros
que vem vendendo) deixa o leitor perplexo com sua genialidade para criar
enredos intrigantes.
Narrado
num período de 24 horas, recheado de flashbacks que situam o interlocutor
(também uma forte marca do Dan), Inferno é uma corrida desenfreada contra o
tempo para, mais uma vez, tentar salvar o mundo de um desastre iminente – o qual,
mais à frente na leitura, percebemos ser mais brando do que imaginamos.
Novamente
tendo como protagonista o encantador professor de simbologia da Universidade de
Harvard, Robert Langdon, que agora desmemoriado está com o humor bem mais
aguçado, uma das obras primas de Brown, embora já comece de maneira surpreendente,
destoando dos prólogos que estamos habituados escritos pelo autor, é, a
princípio, enfadonha. Talvez, por não tratar de um assunto em amplo debate, a
sensação que temos quando começamos a ler é de que ele não vai muito longe com
a história e que permanecerá dentro as hipóteses previsíveis, as quais já deixou
claras em seus livros anteriores: uma catástrofe, um professor
inteligentíssimo, uma mulher atraente e igualmente inteligente e uma caça ao
tesouro para evitar o pior. De fato, é o que acontece, contudo, Dan criou
particularidades que, literalmente, estapeou as nossas caras. Quando comecei a
ler, não imaginei que ele pudesse ir tão longe e me surpreender mais uma vez
(da mesma forma que fez em Anjos e Demônios).
Quando
passamos da metade do livro, percebemos que todo o enredo já tinha sido meticulosamente
pensado e costurado antes mesmo do autor escrever a primeira palavra. De um
contexto completo, cheio de fios soltos que se amarram no clímax, Inferno é uma
história um tanto complicada, que requer atenção a todos os detalhes e, por se
passar em locações reais e falar de obras de arte reais, que podem ser
visitadas hoje, é interessante ser lido com ajuda do Google Imagens, porque,
embora a descrição do Dan seja fascinante, nada melhor do que ver o que ele está
descrevendo.
O
título (penso eu que tenha sido escolhido para causar polêmica, essa também é
uma marca do Brown) é uma referência clara à Divina Comédia, de Dante
Aleghieri, que dá base a toda a história. A intrincada trama de caça ao tesouro
criada a partir da obra de Dante faz uma escavação profunda nos versos de
terças rimas da primeira parte da obra do poeta florentino – dividida em
Inferno, Purgatório e Paraíso. A história de Dan Brown se passa em três
cidades, nesse período de 24 horas no qual é contada: Florença, cidade amor de
Dante Aleghieri, onde se encontram as obras de arte, monumentos e museus que
situam boa parte do enredo; Veneza, para onde Robert Langdon e sua inteligente acompanhante
Sienna partem na reta final do livro; e, por fim, Istambul, onde o livro
termina.
Sempre
que leio Dan Brown tenho impressão de estar lendo Júlio Verne, não em comparação
à forma como os dois autores escrevem, que são extremamente avessas, mas ao fato
de ambos escreverem sobre o futuro. Foi assim que Dan fez em sua obra de
estréia, Fortaleza Digital, escrevendo sobre um código de computador nunca
criado. Foi assim em Ponto de Impacto, quando levantou hipóteses sobre a NASA
que, até então, não tinham sido externadas. Foi assim em Anjos e Demônios,
quando, de maneira incrível, descortinou o processo de Conclave do Vaticano e
associou-o aos Iluminattus. Foi assim em O Código Da Vinci, levantando a
hipótese do Santo Gral ser, em verdade, uma pessoa, não um objeto. Foi assim,
por tabela, em Inferno, descrevendo um vírus-vetor ainda não criado pela
genética, mas que Dan o descreve tão brilhantemente que descarta qualquer
dúvida de que esse vírus, de fato, pode ser criado.
Depois
de derrapar em O Símbolo Perdido (para mim, o pior livro já escrito por Dan), que
foi completamente cinematográfico e desprovido de conteúdo histórico substancial,
Brown, em Inferno, volta a se consagrar como o maior autor de suspense da
atualidade, fazendo com que o seu leitor devore as 422 páginas do livro o mais
rápido que conseguir. Aos que ainda não leram o livro, sugiro que, quando o
fizerem, não se importem em criar teorias de como será o final da trama, pois,
asseguro-os, serão completamente surpreendidos e irão se perguntar como foram
tão bobos por terem sido enganado dessa forma. Inferno, é, sem sombra de
dúvidas, uma das obras-primas de Dan Brown, onde o autor levanta o
questionamento: Engarrafamentos estressantes, hospitais superlotados, filas
para atendimentos, cidades superpopulosas...O Inferno está para chegar, ou nós
já não estamos vivendo nele?
Infelizmente,
receio que terei de esperar dois anos ou mais para ler uma nova aventura
incrível escrita pelo Dan.
Já
estou com saudades do Robert.
Tiago Santos

Não é tão fidedigno aos fatos, mas parte deles para toda ficção, apesar de 'O Código Da Vinci' ter sido apenas uma moda semi-plagiada de livros como 'O Santo graal e a Linhagem Sagrada' (na realidade um asco sem evidências realmente reais), acho que em 'Anjos & Demônios' ele acertou mesmo sempre falando de terrenos pantanosos que é o ocultismo. Não li as demais obras, mas naturalmente fico curioso pois ele ditou tendências.
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