Fico
a imaginar o que leva uma pessoa a se inscrever no programa de colonização de
Marte. Ou o indivíduo está muito infeliz e insatisfeito com a sua vida terrena –
o que não é difícil de acontecer e se viabilizar – ou ele vislumbra, nessa
viagem, só de ida, interplanetária, dar um passo maior que as pernas, num
lampejo de ambição, de autoafirmação, algo do tipo. Ir a Marte apenas para
dizer “fui a Marte” e não poder voltar para contar a experiência, a mim me
parece um tanto insano. O que diabos essa pessoa faria/fará em Marte? Porque,
até onde eu sei, não há nada que se possa fazer lá e que possua o mínimo de
conforto possível. Somos bichos brotados em Terra, para viver na Terra.
Levamos
bilhões de anos para evoluir e nos adaptar às condições do nosso planeta e,
agora, 100 mil dos nossos se disponibilizam a ir colonizar marte! Será que
todos esses inscritos passarão por um intensivão de ‘Como sobreviver em solo
extraterrestre’? O que será que eles levarão para se entreter? Não haverá
internet, telefone, TV, rádio...e, se houver, os serviços custarão os olhos da
cara. Porém como é que se vai saber o valor de tais serviços se não há moeda
oficial em Marte? Usar como unidade de valor o dólar, o euro, o peso colombiano
ou qualquer outra moeda não valerá de nada, já que não vai ser possível voltar a
Terra e usufruir dos deleites que possuir dólar-euros-libras proporciona!
Passar
a vida inteira lendo, embora soe uma atividade culta, também se tornaria
monótona. Ocorre-me também que deve ser divino deslumbrar-se com uma outra
perspectiva do universo. Acordar, olhar para o lado e deparar-se com a Terra
gravitando...mas, ao mesmo tempo, essa pessoa não seria acometida por uma
profunda depressão, talvez até um desespero, por dar-se conta de que não está
lá? De não saber o que se passa, por ter deixado para traz amigos, conhecidos,
vícios, manias, regalias.
Não
se trata de colonizar Marte, trata-se de se sacrificar por uma idéia
completamente sem nexo (pelo menos, para mim). Importância para o âmbito
científico e acadêmico, decerto há, claro. Mas e para essas 100 mil pessoas?
Todas elas decidiram tornarem-se mártires (com o perdão do trocadilho)? Sem falar
que poderíamos estar a um passo de devastar, assim como fizemos com a Terra, um
novo planeta ainda intocado, livre da destruição que vem no encalço das idéias humanas.
Por
outro lado, talvez, o errado seja mesmo eu. Vai que a colonização acontece com
uma dezena de caravelas, cruzando o cosmo com bandeiras dos Estados Unidos, aportando
nos mares celestes de Marte, dividindo o novo planeta em capitanias hereditárias
que vão acabar nas mãos da família Sarney...bom...nunca se sabe.
Tiago Santos

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