segunda-feira, 1 de junho de 2009


– Prólogo –

A história que lhes irei contar aconteceu em uma cidade onde as leis dos homens não passam de tinta impressa em letras no papel. Uma cidade onde o mais forte sobrevive através de seus esforços próprios. Onde os mortais são enganados por aqueles que possuem o poder, mas que não preocupam-se com as massas que os escolheram. Uma cidade totalmente diferente do mundo onde vivo, muito mais organizado do que a banalização do “ser” que se instalou na metrópole São Paulo.
Há muito tempo vivemos entre os humanos, em meio ao caótico transito dessa metrópole. Escondido e disfarçado o nosso povo cresce e prospera enquanto os mortais afundam-se na miséria e na criminalidade. Para que não fosse necessário vermos os humanos se autodestruindo decidimos intervir novamente na comunidade deles e recriar Arcádia, uma sociedade formada pelos mais habilidosos e fortes membros do nosso mundo. O mundo vampiro, onde, ao contrário do mundo humano, ainda prevalecem os valores necessários para que um povo continue existindo.
Em tempos remotos, por volta dos anos sessenta, vir-me na obrigação de realizar a ação de fundar uma sociedade secreta que pudesse manipular e manter de pé os mortais após o golpe militar. Pensei que depois daquele golpe os mortais não sobreviveriam às grandes pressões, represarias e revoltas que aconteciam no país. E de fato não sobreviveriam se eu, na minha posição de Rei da comunidade vampira, não reunisse os melhores e mais fieis súditos que possuía sob o meu poder, nos infiltrasse no governo humano e de forma vitoriosa conseguíssemos assassinar o presidente Tancredo Neves que, ao contrário do que muitos pensam, pretendia dar continuidade a onde de barbáries produzidas pela ditadura que levaria ao fim do povo brasileiro.
E aquela foi a primeira vez que os humanos lutaram nas ruas contra vampiros achando estarem lutando com jovens estudantes escondidos nas escuras e sombrias noites do período militar. Felizmente nenhum de nossos membros morreu, a tecnologia bélica dos militares era totalmente rudimentar perante o nosso poder.
Para que a ordem pudesse ser restaurada no país tivemos que colocar a frente do Brasil um dos nossos mais ilustres companheiros vampiros, o Conde Armand Slavel Franco, ou Itamar Franco, como muitos mortais conhecem.
Depois de restabelecer o mundo mortal resolvi dissolver Arcádia já que tudo estava em seu devido lugar. Desde então não mais ouviu-se falar pela comunidade vampira na sociedade secreta criada para ajudar os humanos.
Arcádia caiu no esquecimento do meu reino e dos meus seguidores, a vida no mundo mortal voltou ao seu patamar normal e começou a evoluir, porém nós continuamos infiltrados nos diversos setores da sociedade deles para que nada saísse do controle.
Com o passar do tempo percebi que os humanos estavam mudando, tornavam-se cada vez mais inescrupulosos e violentos e pareciam não se preocupar com a estranha mutação pela qual passavam.
Apesar de se tornarem mais perigosos nunca conseguiram alcançar p nosso mundo que é exatamente igual ao deles, prédios, cidades, automóveis, porém onde não vivem humanos e sim vampiros, um lugar onde o sol não brilha e a noite reina majestosa e sem fim. Apenas o meu povo conhece as passagens que separam o nosso mundo paralelo do mundo dos mortais, e meus súditos são permanentemente proibidos de revelá-las para humanos, para que não haja uma guerra em que os mortais sejam reduzidos a pó.
Foi durante uma fria noite, minha filha vagava pelas ruas de São Paulo quando fora atacada por marginais que a abusaram e a prenderam em um casebre sobre um morro coberto por outros casebres. Eles eram muitos para que ela pudesse se defender. Deixaram-na presa durante toda a noite e quando amanheceu a soltaram, porém ela estava muito fraca e ferida a balas de revólver espalhadas pelo corpo e ao sair cambaleante morro abaixo sob o ardente sol ela morreu fitada pelos raios amarelados que atingiam o seu corpo e fazia a sua pele fervilhar. A vida esvaiu-se das veias da minha filha e quando recebi a notícia a vontade que me invadiu foi de atacar o mundo humano e acabar com todos eles, mas cheguei a conclusão de que muitos deles eram tão vítimas quanto a minha filha e eu.
A única solução para que o que aconteceu com Sarah não se repetisse com alguém da própria espécie deles era combater aqueles que matavam sem propósito algum apenas pelo prazer de matar.
Então resolvi recriar Arcádia e lutar contra os marginais que assombram as ruas de São Paulo, para que mais uma vez os humanos não caminhassem em direção a um abismo e de lá pulassem destruindo toda a sua comunidade.
Continua...
Tiago Santos

3 comentários:

  1. Oi Thiago!O texto é interessante como fantasia, tem um toque meio apocalíptico. A narrativa pode e deve ser melhorada. A pontas soltas, mas é um bom argumento. Beijos Mordidos!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Naza, o seu comentário aqui no meu blog é uma honra. Gente essa aí em cima é a escritora dos livros Alma e Sangue - o despertar do vampiro -, Kara e Kamam - uma saga de alma e sangue -, Anno Domini - Manunscritos Medievais - , e Necrópole - histórias de bruxaria -. Naza vC é uma sábia sobre vampiros. Muito obrigado pelo comentário. Agora sim posso dizer, Beijos Mordidos tb.

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