Há um caminho, todos os
portais ainda estão abertos, e todos os passos correm para a mesma direção. Não
há por que temer ou fingir não existir, está sob o olhar, sob o toque das
lembranças, não há como fugir, não há como evitar. Foi uma longa viagem, que
passou com a rapidez de um comenta que corta o céu, na lentidão de um beijo
demorado, em silêncio, atormentado pelas estradas, pelas escadas, pelos desníveis,
recantos sensíveis, receios de ir mais afundo.
Todas as dores foram
aplacadas, os ferimentos, curados, ao tempo em que outros se fizeram, abriram
feito crateras, deixaram expostos a fragilidade, a preocupação, a verdade, que
há muito esteve escondida sob palavras doces, são valor, sem peso ou
terror...apenas palavras, que, feito poeira, se esvaíram num primeiro soprar de
vento...num segundo soprar de vento...num terceiro que não virá.
Uma viagem por caminhos
discretos, passagens secretas, por conversas sussurradas ao pé do ouvido,
momentos segredados em noite de insônia. O cavaleiro aprendeu a domar pesadelos
de dragões, respirações ofegantes e a fazer adormecer de novo quem os pesadelos
perturbaram. Aprendeu a ser paciente, ouvir, por noites a fio, o som único de
uma respiração, para ser capaz de reconhece-la – única – em qualquer lugar do
multiuniverso desparalelo.
Cansado, ferido,
exposto, cheio de marcas pelo corpo e de filetes de memória na bagagem, abandona
a batalha, desertor envergonhado, com medo de que – por fim – uma outra lança
lhe dilacere o peito, faça-o mil pedaços, retalho do que um dia foi. Já não há
mais espada nem propósito para lugar. Não houve perda de tempo...não vou perda.
Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Há
um caminho, todos os portais ainda estão abertos, e todos os passos correm para
a mesma direção. Mas a guerra acabou...é hora de voltar para casa...
Tiago Santos
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