Durante
o meu período de férias das habituais atividades corriqueiras, refugie-me em
meu saudoso interior para desligar-me do mundo e conectar-me à monotonia
aprazível da chapada. Para tanto, deixei de escanteio os pasquins, a TV aberta,
as notícias cotidianas. No entanto, como os momentos sempre findam, tive de
voltar à vida de sempre, tendo os dias apinhados de novidades tenebrosas,
deparando-me com coisas que, no interior, quase não se ver. Uma delas delas é a
maneira como a vida é tratada feito banalidade por uma parcela doentia das
pessoas.
Assistindo
a um telejornal, vi um homem invadir um bar, sacar uma arma e disparar seis
tiros contra um rapaz que bebia com os amigos, matando-o. A cena deixou-me
assustado, pois poderia ser qualquer amigo meu, poderia ser eu. A matéria
seguinte apresentou mais violência, protagonizada, desta vez, por um policial
militar que, como quem brinca, atirou contra os seguranças de uma boate,
deixando-os gravemente feridos e fugindo em seguida. Por fim, então, resolvi
ouvir música, pois já estava ficando enojado ao constatar – mais uma vez – o quão cruel e frígido o homem vem se tornando.
Vendo
notícias como essas todos os dias, perece-me que a vida perdeu todo o seu valor
ante as necessidades e asseios pessoais, porque é ceifada com a mesma
facilidade que se respira. Tornou-se banal e comum matar por motivo torpe, como
se o poder de vida e morte estivesse em nossas mãos. Mata-se quando quer, como
quer, por qualquer razão. Confesso não acreditar em muita coisa, contudo,
possuo pela convicção de que não tenho o direito de influir no curso de vida de
alguém, seja lá qual for o meu desígnio.
Por
esse motivo, também, sou terminantemente averso à pena de morte, visto que ela
condena ao fim algo sobre o qual não possui poderes: a vida. Assusta-me ver que
a vida não parece possuir valor algum para quem a perder, aos olhos de quem a
tira. Imagine-se caminhando na direção de uma cadeira elétrica e pensando em
qual autoridade possuem para lhe matar, não importando o crime que se tenha
cometido. É desesperador. Você irá morrer! A justição não se faz apenas através
da fatalidade, pois existe a condenação perpétua que pune, porém preserva a
vida. Sem falar que a nossa justiça – e muitas outras pelo mundo – paralítica não
possui capacidade para adotar a pena de morte, quando já condenamos,
arbitrariamente, tanto inocentes a anos de clausura, num sistema carcerário
deficiente que não rabilita sob aspecto algum.
Não
desejo que ninguém concorde comigo nem que diga ‘amém’, ao final deste artigo.
Anseio apenas que fique claro que temos encarado a vida de maneira brutal,
desvalorizando-a. Acostumamo-nos com assassinatos recorrentes, não mais nos
indgnamos nem nos preocupamos. Talvez só saibamos o valor da vida quando um dos
nossos for abatido, tal qual se faz a animais. Até lá, vamos nos transformando
cada vez mais em um pedaço frio de carne.
Tiago Santos

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