segunda-feira, 11 de julho de 2011

(entrelinhas) Correio.


Hey. Em tempos da evolução monstruosa da internet, você acredita que duas pessoas ainda possam se conhecer através da forma mais romântica? Pois então acredite. É possível. Para provar isso, compilei algumas cartas trocadas entre os jovens Miguel e Alicia, onde os dois se conhecem e passam a se interessar de maneira mais profunda um pela vida do outro. Contudo, o verdadeiro teor dessas cartas, caro leitor, só você poderá entender. Espero que goste.

18/04/2011 - Salvador -Bahia  

Olá, Alicia.

Tudo bem contigo? Não, você não me conhece. E agora confesso estar bastante sem graça em te mandar essa carta sem que sequer saiba quem sou. No entanto, tomei a liberdade assim mesmo e comecei a escrever estas palavras.
Lembra-se daquela comunidade do Orkut “Leitores Assíduos de Andrade”? Pois é, foi lá onde encontrei o teu endereço – e é lá também que encontrará o meu – no fórum onde discutimos um pouco sobre literatura atual. Percebi que tínhamos visões parecidas sobre o mesmo assunto. Por isso, quis te escrever. Sei que você vai pensar que eu poderia apenas ter mandado um scrap ou um e-mail, mas perderia toda a magia de um encontro à moda antiga.
Sabe o novo livro do Vianco, O Caso Laura? Percebeu que ele foge da forma habitual de criar histórias e quase perde o tom fantástico? Li O Caso Laura e é surpreendente. Qual estilo de literatura você curte? Antes que pergunte, digo que sou fascinado por todos os aspectos e graus da fantasia. Mas agora chega. Acho que, para um primeiro encontro, falei demais sem nem saber se você vai querer responder. Espero que sim.


Abraços tímidos.
Miguel
Obs. Percebeu que eu só falei quem sou no final? Tática para que haja outra oportunidade de conversa.

****


22/04/11 – Belo Horizonte – Minas Gerais

Oi, Miguel.

Comigo tudo perfeitamente bem; espero que com você também. Ah! E não precisa ficar sem graça. Dei uma olhada no seu perfil do Orkut e já vi o quanto real você é. Em tempos de tantos fakes e aproveitadores, é sempre bom estar atento. Não me entenda mal.
Devo dizer que fiquei surpresa quando a sua carta chegou...nunca recebo cartas...acho que a última foi há dez anos, do Papai Noel (risos. Por falar nisso, tenho 17, e você?). Quando o carteiro entregou as correspondências ao meu irmão mais novo o menino fez a maior algazarra aqui em casa, por ver que uma delas era para mim e, pior, que era de garoto! Minha mãe e meu pai ficaram curiosos e preocupados quando eu disse que não conhecia o tal remetente: “Miguel”. Porém eles deixaram que eu lesse sozinha a sua carta. Fiquei feliz, Miguel, por saber que se interessa em estabelecer contato por cartas, acho muito mais charmoso e, tratando-se de literatura, é mais apropriado.
Você me perguntou se eu já tinha lido O Caso Laura, do André. Infelizmente, não. Adoro os enredos vampirescos dele, mas estou com uma pilha crescente de livros para liquidar. Falta tempo. Ano de vestibular, muito assunto no colégio, e uma vontade louca de jogar tudo para o ar e fugir com uma mochila cheia de livros (de preferência os romances do Nicolas Sparks, amo chorar com os dramas dos personagens dele)...e sonhos...e desejos...e sonhos, e sonhos e sonhos..
E, para concluir, não precisa ter medo. Responderia a sua carta, afinal, não é sempre que recebo uma. Na verdade, a sua foi a primeira, sem contar com a do bom-velhinho. Fiquei muuuuuuuito feliz. Espero a sua resposta, Miguel.
 “Às vezes, a magia é real.”
Nicolas Sparks

Beijos primários da
Alicia..

Um comentário:

  1. Ainda há cartas. Ainda há pessoas que escrevem cartas. Ainda há quem se emocione ao lê-las. Adorei a postagem! E que issa ligação permaneça tendo bons resultados :) UM BEIJO TIH (sem graça). rs :D

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