Às vésperas conturbadas dos preparativos para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos que acontecerão – por motivo lógico ainda desconhecido aos pensantes – em terras tupiniquins, o país vive um momento de caos geral, onde acontecem contenção de gastos em setores cruciais, e sigilos de contas públicas supersecretas em vertentes que nem deveriam assistir, por assim explicar no melhor dos eufemismos já citados. Centenas de livros didáticos encontram-se empilhados e largados de mão, enquanto alunos saem para as férias de julho sem nem terem visto a cor de suas capas; centros digitais de escolas públicas ociosos, empoeirados, onerados a almoxarifado de improviso e socorro; reviravoltas no campo da política e economia, mas quem AINDA liga para isso?! “AH, dane-se! É carnaval!”. Onde tudo sempre termina em festa – quando não sobram pizzas –, pouco se importa com coisas que deviam possuir verdadeiro olhar crônico.
“Dar-se sempre um jeitinho, amigo! Deixa disso, me dá um cigarro. Somos o País do Futebol!”. Certo. Não existe como negar. Há até mesmo data para nos lembrar disso, dia 19 de julho. Mas somos também O PAÍS DOS ANALFABETOS, O PAÍS DOS DESEMPREGADOS, O PAÍS DOS MISERÁVEIS. Enquanto o governo move pauzinhos para disponibilizar R$ 323 milhões à construção da nova Arena Fonte Nova, pouco mais de 10 milhões de brasileiros vivem mensalmente com até R$ 49, 00, sendo considerados os miseráveis dentre os miseráveis. Ah, mas como disse o nosso amigo, “Dar-se um jeito!”.
Somos fascinados por futebol e qualquer outro evento esportivo, está no nosso sangue descendente de índio corredor de florestas, “subidor” de árvore, nadador profissional, arremessador de cocos! É nosso amar práticas esportivas. Todavia, não se pode entaipar os olhos e deglutir a verdade aleivosa de que está “tudo bem, tudo certo”. Como sediar Copa do Mundo sem que haja estrutura capaz de tanto?! O trânsito está uma balbúrdia patológica, procura-se meios para correr em escape, contudo, move-se, move-se, move-se e volta-se a ponto nenhum. Talvez seja incompetência, ou talvez desespero ante a iminente prova de que não existe jeito para tudo. Somos brasileiros, não somos mágicos. Nenhum metrô, nenhum BRT ou outra forma de transporte público ficará 100% completado até 2014, e, se ficar, será “à la jeitinho fundo de quintal”. Fato indubitável.
A verdade é que, como diz um conhecido, não sabemos cuspir e já estamos a fim de escarrar. O Brasil é aquele garoto pobre que quer brincar com os joguinhos dos garotos ricos, e se mistura à nobreza com o intuito de enganar a si mesmo. Sim, nós somos emergentes – ou, quem sabe, menos que isso –, mas nos forçam a pensar o contrário, aumentando os números da “nova classe média”. Ainda não brotou “nova classe média” nenhuma. A única coisa que deu as caras foi a política governamental de erradicação da miséria distribuindo mais bons bocados de bolsas ao léu. Se estes são os integrantes da “nova classe média”, isso é prova evidente de que Max falou tudo por falar e, sem dúvidas, estava mais que certo.
Um país que investe mais em aparências do que em necessidades não merece nem reconhecimento nem patriotismo do seu povo – o qual, para nossa graça, está emergindo da realidade e começa a bradar contra os erros deslavados. Todo o dinheiro que está sendo gasto em obras e repaginadas deveria ser vertido em educação, saúde, saneamento, e mais no que ainda falta para que possamos, daí, pensar em sediar qualquer evento que seja, para que não aconteça como no Pan. Alguém sabe o que aconteceu às construção de 2007? Pouco ou quase nada, muitas estão em desprezado abandono.
É vergonhoso gastar fortunas com supérfluos, ao tempo em que parcela gritante do nosso povo come, veste, trabalha e vive com R$ 49, 00. Esse é o Brasil no qual vivemos. Esse é o Brasil que sediará a Copa do Mundo.
Tiago Santos.

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