segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Menina


A chuva fina lava a janela,
Lembra-me a menina,
Aquela, a mais bela.

Que trazia nos olhos,
Fracas lágrimas,
Na face tão doce,
Um rio de lástimas.

Passos firmes,
Mas por dentro ternura,
Carente de afeto,
Só havia amargura.

Vi-la derramar,
Salgadas gotas,
Queria-lhe abraçar,
Sob as folhas soltas.

Que despencavam das árvores,
E inundavam a rua,
Por onde ela passava,
Ao brilho da lua.

O vento sobrava o seu rosto,
O vestido dançava,
Passo a passo em minha direção,
Lágrima a lágrima ela avançava.

Em mim os olhos desejavam-na,
Com tanto querer,
Com toda a alma.

Beija-la por apenas um instante,
Transforma a fração de segundo,
Em momento constante.

Dizer que a amava,
Sem sequer conhece-la,
Que estava apaixonado,
Por aquela triste estrela.

Vindo a mim lentamente,
Lábios e pensamentos estridentes,
Talvez fosse o frio,
Ter-la em meus braços resolveria,
Calor penetrante,
Só assim a teria.

Mas para o nada ela partiu,
A menina dos olhos tristes,
Onde a alegria se esvaiu.

Deixou-me a ver partir,
Debaixo daquela chuva,
Sob a qual me iludi.

Agora torna a chover,
Pela janela a lua vai aparecer,
As folhas ainda caem,
A menina deverá surgir,
E outra vez desejo ver.

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