O dia não correra bem,
Ele estava estressado,
Paciência sem,
Fora açoitado.
O pouco dinheiro que tinha,
Já conhecia do destino,
Para um caminho sem volta ele ia,
Encontrar-se com o albino.
O homem branco lhe encarou,
Analisou a sua face,
Por algum tempo vislumbrou,
E se desfez o impasse.
Recebendo o dinheiro ele entregou,
O pó ao jovem amargurado,
O seu coração palpitou,
Inspirando o pó comprado.
Mergulhou na loucura,
No tormento mar alucinógeno,
Na mente se fez a ruptura,
Sintomas previstos no prognostico.
Vagou alucinado para o apartamento,
Desejava ver a namorada,
Um anjo de luz sem tormento,
Esperava-lhe ansiosa a amada.
Ele entrou descontrolado,
Agarrou-a o pescoço a vulto,
Ela se debateu e tombou de lado,
Suspirou seu último soluço.
Parecia estar possuído,
Pelo pó que ingeriu,
Sentiu estourar o ouvido,
E ao lado da amada morta caiu.
Dormiu um sono tranqüilo,
Da loucura isento,
Voltava-lhe o consciente bandido,
Tornando-o mais atento.
Acordou com um susto,
E viu o horror ao seu lado,
Tentou lembrar do ocorrido,
Mas tudo parecia um remoto passado.
A amada jazia morta,
Em seu rosto o pavor do medo,
O caminho mais curto era a porta,
Não poderia guardar o segredo.
Ligou para o pai desesperado,
E confessou o crime fatal,
Contou que não entendia o fato,
Estivera fora do normal.
O único caminho prudente,
Era entregar o filho à justiça,
A decisão mais coerente,
A correta saída.
Lá se foi o jovem arrependido,
Algemado por matar sem saber,
Nem se lembrava do ocorrido,
Mas pagar era o que devia fazer.
(homenagem a Bárbara Calazans, assassianda
pelo namorado, Bruno de Melo,
usuário de drogas.
Tiago Santos
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