segunda-feira, 30 de maio de 2011

(comentário de hoje) Nossos pais...


Estava, hoje, com um grupo de amigos – relativamente grande, para constar apenas – e surgiu o assunto que está sendo discutido exaustivamente nos últimos dias: a adoção de crianças por casais gays. Para que pudéssemos entender de maneira clara um a opinião do outro, resolvemos dividir-nos em dois grupos, a favor e contra. Feito tal, assustei-me com a quantidade que se mostrou contrária à adoção – já que eu e uma grande parcela, a maioria, tínhamos nos posicionado a favor. Deu-se início ao debate e, para começar em grande estilo, o grupo contrário nada relevante possuía a expor de maneira contundente, ao inverso do nosso grupo, que se manteve coeso e argumentativo.
Contudo, não irei dizer tudo o que foi colocado, não cabe. Mas gostaria de compartilhar alguns dos meus pensamentos, os quais são apenas meus, possuidores de simpatizantes e algozes. Pois bem. Comecemos. Primeiro de tudo – e talvez o mais importante –, não se escolhe ser gay ou hétero, acredito eu, na minha total falta de psicologia ou ciência racionalista. Nasce-se assim. Não se vira gay, descobre-se gay. Desde que o mundo existe, sabe-se disso. Os gay não apareceram de uma hora para outra, num boom momentâneo, eles sempre estiveram aí, entretanto, tinham medo de se mostrarem. Na Segunda Guerra, foram massacrados por Hitler, nos campos de concentração. Mas sempre existiram. E as pessoas parecem não compreender isso. Acreditam que um par homoafetivo desvirtuaria, por assim dizer, a criança e a induziria a se sentir atraída pelo menos sexo. Se assim fosse, não nasceriam gays de casais héteros. Não é demasiado lógico?
Martela-se a questão da pressão – ou provável “humilhação” – que a criança sofrerá nos colégios ao ser perguntada por suas mães e seus pais. Penso também que mais isso não trará qualquer constrangimento à criança, se os seus pais gays lhe explicarem suas vidas e se os pais héteros dos seus coleguinhas educarem, no sentido mais bruto da expressão, os seus filhos, sob os preceitos do respeito, independente de raça, crença ou sexualidade. Assim não haverá formas de constrangimento e irá se conseguir uma disseminação, ainda que tardia, dos valores que estão sendo perdidos e a não construção do PRÉ-conceito.
Os abrigos infantis encontram-se superlotados. As crianças, na maioria dos casos, amontoam-se em quartos pequenos, porque seus pais héteros os fizeram, mas não se dispuseram a educá-los e lhes dar uma vida feliz.  Seria melhor não haver crianças em orfanatos, mas, sim, famílias bem estruturadas e felizes, não importando se com dois PAIS ou duas MÃES. Deve-se prezar pela felicidade e não lutar contra ela, ainda mais se ela não te pertence, mas se trata da felicidade de outrem. Uma criança educada por dois pais ou mães presentes, preocupados e amorosos, saberá driblar, ou melhor, transpor qualquer forma de preconceito ou constrangimento. Não afirmo ser um percurso fácil, porém, tendo-se a mão de quem segurar, também não será impossível.
Por fim, é ridículo expor a réplica de que duas pessoas do mesmo sexo não podem gerar um filho. Quantos podem, geram e os jogam em latas de lixo? Estes também não podem, seja homem ou mulher. A questão não é ser capaz de gerar um filho, mas ser capaz de amá-lo.


                                                                                                                                   Tiago Santos

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